Apesar de ser prática bastante comum na maioria das palestras motivacionais, eu nunca fui a favor das analogias corporativas com animais!
Isso porque criamos uma contradição com um fato peremptório, que justifica a razão da nossa própria existência: A natureza é perfeita!
E se isso é verdade, ao fazermos este tipo de comparação, estamos suscitando não apenas as características de determinado animal de forma positiva ou negativa para adaptá-las a determinado contexto, mas esquecendo que estas mesmas características podem ser aquelas que o fazem um ser único, e até mesmo especial!
Desta forma, se no mundo corporativo profissionais limitados são comparados a uma Avestruz, que na hora do perigo esconde a cabeça dentro de um buraco, enquanto os profissionais arrojados são comparados a águias que voam alto, fica muito fácil fazer esta mesma analogia por uma perspectiva diferente: Apesar das Avestruzes esconderem a cabeça dentro de buracos, elas são bastantes velozes, podendo chegar a 60 km de velocidade. Já as águias voam alto, mas devoram qualquer ave de menor porte que passar pelo seu caminho!
Você gostaria se ser associado a um perfil ágil, veloz ou, a outro que “devora”, “passa rasteira” nos seus pares?
Na verdade, o que as empresas precisam ter, são métodos e critérios bem definidos para avaliar corretamente seus profissionais! E este é um ponto crucial, que deve ser utilizado como ação estratégica por qualquer empresa, afinal fazer avaliações de forma subjetiva, nunca foi tarefa fácil, mas o uso de ferramentas adequadas, pode ser o meio mais correto de se conseguir um resultado de forma imparcial, rápida e mais próxima da verdade, que trará benefícios a pelo menos uma das partes envolvidas(Geralmente a empresa!).
Mas é também trabalho muito difícil mudar as características de um profissional, já que as mesmas estão diretamente ligadas a sua personalidade, que foi construída durante anos, através das diferentes experiências vividas como ser social. Nesta linha, se determinados profissionais possuem desempenho abaixo da média, não serão as analogias que provocarão uma mudança de perfil ou a busca por uma melhoria; pois profissionais deste tipo, não costumam se ver de forma negativa! Na prática, Isso significa que jamais veremos Avestruzes voando alto, ou Águias escondendo a cabeça dentro de buracos!
Por outro lado, as empresas precisam entender que não se gerenciam pessoas! Se gerenciam os procedimentos, os processos, etc.., já as pessoas precisam ser lideradas! Este é o ponto primordial para um processo inicial de mudança corporativa, ou seja, é responsabilidade da empresa definir os objetivos, realizar o planejamento e fornecer os recursos, para que cada funcionário se identifique dentro deste cenário e saiba qual o seu papel fundamental dentro dele.
Infelizmente, grande parte das empresas ainda não estão totalmente “sintonizadas” com o dinamismo do mercado, e tendem a atribuir suas falhas sistêmicas aos seus funcionários, que de forma incorreta, passam a ser avaliados apenas pelos resultados, quando deveriam ser avaliados também pelo desempenho. É onde geralmente nasce o “Zoológico Corporativo”!
A verdade é que, aqueles profissionais que estão comprometidos e que realmente fazem a diferença, não perdem tempo tentando descobrir onde se encaixam nas analogias, pois estão mais preocupados em buscar soluções e quebrar paradigmas internos, não se conformando em ser apenas mais um funcionário satisfeito, mas se tornando um funcionário engajado!
Na linha da “Bicharada” ele está envolvido como a Galinha na produção do Ovo para o café da manhã, e comprometido como o Porco, no fornecimento do bacon! (Essa é clássica na analogia animal!)
Enfim, o princípio básico para um profissional permanecer em uma empresa, independente do tipo de perfil que ele possua, é que esta empresa esteja ainda atendendo suas expectativas, independente também, dos problemas estruturais que a mesma possua. Só que o inverso também funciona, e é justamente neste ponto que a empresa recorre a “armas corporativas” para tratar os pontos de melhoria dos profissionais que já não são, tão interessantes!
Para os adeptos deste tipo de analogia, deixo uma sugestão: Já que parece tão interessante coletar as características dos animais (mesmo só as que convêm!), para compará-los aos profissionais, buscando motivá-los cada vez mais na busca dos objetivos, eu sugiro que exista o profissional Ornitorrinco!
Apesar de ser considerado uma prova de que Deus tem senso de humor, (melhor esta, do que a que diz que o Ornitorrinco é fruto de uma “festinha” bíblica, ocorrida na Arca de Noé, onde só quem não participou foi o Elefante, o Cavalo e a Girafa que estavam vendo a chuva), este animal de aparência incomum, é um mamífero, que possui bico de Pato, cauda de Castor, garras de Morcego, nada como um réptil e põe ovos! Tenho certeza que não faltará imaginação, para atribuir características “corporativas” ao mesmo, e enquadrá-lo no mais alto posto das analogias. Mas só tem um problema: Apesar de todas as características de ave, o Ornitorrinco não voa!
Certo ou errado... já está publicado.
Werson
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