quinta-feira, 14 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Resiliência ou Paciência?
Resiliência , esta é a palavra da vez no mundo corporativo! E sua primeira ação, foi substituir a palavra “Proatividade”, que já não fazia tanto efeito no mundo dos negócios.
Geralmente citada por quem é chefe(ou líder), mesmo sem necessariamente saber do significado, a Resiliência é uma daquelas características que todos os profissionais querem ter, não porque o faz melhor profissional ou facilita o trabalho , mas porque ajuda a manter seu emprego! E não adianta você dizer que tem, afinal quem vai determinar isso, é o seu chefe!
Segundo a Wikipédia, Resiliência é um conceito oriundo da física, utilizado pela primeira vez em 1807, pelo cientista inglês Thomas Young , quando o mesmo estudava a relação entre tensão e deformação de barras metálicas. Em suma, é a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma tensão. Já no mundo corporativo, ela serve para caracterizar as pessoas que têm a capacidade de retornar ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresse, ou seja, tem Resiliência, o sujeito que após ouvir gritos do chefe, cobranças dos clientes, ler 100 email’s que precisam de respostas imediatas e trabalhar sem as ferramentas e recursos necessários para desempenhar suas tarefas, ainda consiga sair sorrindo e com a certeza de dever cumprido no final do expediente, e claro, voltar totalmente renovado no dia seguinte!
Em um mundo atualmente governado pela geração Y, onde a empregabilidade é vista como ponto positivo nos currículos, não só no sentido da qualificação e generalismo dos profissionais, mas também na quantidade de empresas que os mesmos já “passaram”; nada mais natural que as empresas criassem um paradoxo para a situação: Quando o profissional, mesmo sem ter suas necessidades profissionais e pessoais, ou pelo menos uma delas, atendidas por determinada empresa, vai logo atrás de outras, é porque este profissional não possui Resiliência!
Já para a geração X é mais complicado, afinal nesta nova visão, após 10 anos ou mais na mesma empresa, significa que o profissional se acomodou e fica muito difícil se adaptar as novas exigências corporativas (na maioria das vezes isso é verdade!), e a falta de Resiliência, é também chamada de “Resistência a mudanças”.
Em resumo, hoje a empregabilidade é utilizada pelo profissional para entrar na empresa, e a Resiliência é usada pela empresa para mantê-lo. Assim, concluí-se que ambas se tratam de artimanhas corporativas utilizadas pelas empresas, primeiro, para contratar e manter os melhores profissionais, segundo, para se livrar daqueles que já são dispensáveis!
Isso porque entendo que, atualmente, existem 03 tipos de profissionais nas empresas:
01-Profissionais geração Y, são mais jovens e entram em determinada empresa dispostos a fazer a diferença, mas encontram barreiras de todos os tipos para executar seu trabalho, ficam incomodados por não terem suas expectativas atendidas, e preferem buscar outros desafios(empregabilidade) no mercado.
02-Profissionais geração X-, que entram em determinada empresa sem saber com certeza quais são os seus objetivos e expectativas, encontram barreiras de todos os tipos na execução de seu trabalho, não ficam incomodados e optam pela acomodação (manutenção do emprego) se escondendo nas “brechas corporativas”.
03-Profissionais geração X+, que já estão na empresa há muitos anos e continuam auto-motivados a resolver os problemas, encarando os mesmos diariamente como desafios, com total comprometimento e dedicação.
Como a maioria das empresas não dispõem de ferramentas para diferenciação destes profissionais, só resta pelo conceito acima, verificar quais os profissionais que, no sentido literal da palavra, realmente possuem Resiliência, que pode ser traduzido neste contexto, simplesmente como muita paciência!
Isso, pelo lado das pessoas, porque toda a pressão corporativa não está na execução do trabalho em si, mas está ligada diretamente as relações interpessoais entre os diferentes níveis; e como se sabe, para tratar com diferentes pessoas, sobre diferentes problemas, precisa-se de muito....Resiliência!(não é erro de concordância).
Já pelo lado da empresa, porque a mesma não se contenta mais com apenas 08 horas diárias, exigindo muito mais que isso, mesmo que os funcionários só tenham a oferecer “sangue, sofrimento, suor e lágrimas”, não necessariamente nesta ordem!
O interessante nesta analogia, e que como sempre só se tira o que convêm, é que em nenhum momento se fala do que ocorre com um corpo físico quando sofre uma pressão constante, que ultrapassa sua capacidade... ele quebra; ou seja, Resiliência também tem limite!
Não significa porém, que eu não concorde que o profissional precise desta característica para suportar a pressão diária. Vai muito além disso, afinal se trata de comportamento, que envolve sentimentos pessoais, que se não forem externalizados da maneira correta, se transformam em uma verdadeira bomba: Uma hora explode!
E neste estágio, o prejuízo é para ambas as partes!
Se o desempenho é a soma da competência(comprometimento) + processo + resultado; para que os objetivos sejam alcançados pelas partes envolvidas, é possível deduzir que a competência depende do profissional, o processo depende da empresa, e o resultado de ambos. Assim, se os funcionários tem competência, e a empresa tem problemas nos processos, não é Resiliência que trará um bom desempenho e resultados positivos. Do mesmo modo, se os processos da empresa são eficientes e os profissionais não tem competência, Resiliência não irá melhorar o desempenho ou o resultado, podendo ser classificada na mesma linha da perda de tempo!
Se tudo se resume nas economias de escala, ou seja, fazer mais com menos, deduz-se que, se existe comprometimento (querer fazer), competência (saber fazer), processos bem planejados e definidos (recursos necessários), os resultados serão positivos, os objetivos alcançados e a Resiliência por si só, ficará em segundo plano.
Basta cada um assumir sua responsabilidade no processo!
Como já disse Max Gehringer, o que faz qualquer mudança funcionar não é a comunicação. A comunicação ajuda, mas não resolve, o que resolve mesmo é o exemplo que vem de cima!
Pressão por Resiliência, fico com a Paciência!
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